Mudanças climáticas, democracia, privatização da Educação e Direitos Humanos em debate no 8º Congresso Mundial da IE
Internacional

Mudanças climáticas, democracia, privatização da Educação e Direitos Humanos em debate no 8º Congresso Mundial da IE

A FNE está presente, entre 20 e 26 de julho, em Bangkok, capital da Tailândia, no 8º Congresso Mundial da Internacional da Educação.

A delegação da FNE é constituída pelo Secretário-Geral, João Dias da Silva, pela Vice-Secretária-Geral, Lucinda Dâmaso, contando ainda com a presença do Secretário-Geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), Carlos Silva, como observador.

Neste 8º Congresso Mundial, os participantes vão procurar soluções de progresso na profissão, tentando que através da sua voz coletiva, os professores e o pessoal de apoio à educação reforcem o seu papel fundamental na garantia de melhoria no estatuto e na imagem da profissão docente.

Outras matérias em foco são a promoção da democracia, dos direitos humanos e sindicais, já que o mundo precisa de uma Educação de qualidade inclusiva e Sindicatos democráticos fortes como nunca antes. Os professores estão na vanguarda da defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos e do pensamento crítico.

É fundamental garantir Educação gratuita de qualidade para todos. Os governos devem fornecer financiamento suficiente para garantir que todas as instituições de ensino disponham de recursos adequados para proporcionar educação de qualidade equitativa e inclusiva em ambientes saudáveis, seguros e protegidos.
Alguns dados sobre a Educação no mundo:

260 milhões de crianças e jovens não estão na escola • Quase 50% dos professores não têm um emprego permanente • Quase metade dos pais tem que contribuir total ou parcialmente para as despesas de Educação • 50% dos sindicatos de Educação na Ásia e no Pacífico denunciam agressões físicas nas escolas e 1/3 dos professores na África, Peru e Brasil também • 64% dos Sindicatos de Educação indicam a existência de habitações inadequadas, com problemas de higiene e de acesso à água nas escolas.

Mas este Congresso Mundial da Internacional da Educação tem como mote quatro temas principais:

Mudanças climáticas:

Desde os cientistas que trabalham incansavelmente para despertar as consciências, jovens que saem às ruas para exigir medidas e ações em todo o mundo, a mudança climática é o maior desafio que enfrentamos hoje. A crise climática é uma questão complexa que requer ações coordenadas para garantir uma transição justa para uma economia sustentável que não deixe para trás milhões de trabalhadores em todo o mundo. A Educação é a chave para que isso aconteça. Durante o Congresso, será publicado um guia sobre a mudança climática, que visa proporcionar aos educadores, informações e ferramentas para que possam tornar-se agentes de mudança, conduzindo a partir das suas salas de aula a luta contra o aquecimento global.

Democracia:

A democracia começa na sala de aula. Os fundamentos, dos direitos dos cidadãos ao pensamento crítico, são aprendidas na escola. Contudo, nos últimos anos, a democracia e os professores como vetores da democracia têm sido sujeitos a muitas pressões. Das tentativas de impor agendas políticas nas escolas, à prisão abusiva de professores, alguns governos estão a travar uma guerra contra o poder transformador da educação. Os educadores defendem os seus estudantes, defendem-se a eles mesmos e à democracia, em países como o Brasil, a Turquia, as Filipinas, etc. Vários delegados desses países participarão no Congresso, dispostos a compartilhar as suas histórias.

Outra ameaça importante à democracia é a proliferação de notícias falsas ou eventos alternativos. No Congresso Mundial da IE, professores de todo o mundo vão projetar estratégias para incentivar o pensamento crítico entre os seus alunos e neutralizar a propaganda.

Tudo isto será discutido com apoio de "Educação e Democracia: 25 Lições do Magistério" (Educação e Democracia: 25 aulas da profissão docente), um livro escrito em conjunto por Susan Hopgood, presidente da Internacional da Educação, e Fred van Leeuwen Secretário-Geral Emérito da Internacional da Educação. A apresentação do livro terá lugar durante este Congresso Mundial, em Bangkok.

Direitos Humanos:

A Educação é um direito humano. No entanto, 260 milhões de crianças não estão na escola e 152 milhões são forçados a abandonar a escola para trabalharem numa idade muito jovem. Somente no sul da Ásia, 41 milhões de crianças estão presas no trabalho infantil. Sem educação, terão muito poucas oportunidades para melhorar a sua vida. Os educadores assumem a liderança para que todas as crianças frequentem a escola, particularmente meninas e minorias. Kailash Satyarthi, há muito tempo defensor dos professores e de seus sindicatos, tomará a palavra durante o Congresso. Satyarthi ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2014, por ter libertado mais de 87.000 crianças na Índia do trabalho infantil, escravidão e tráfico.

Privatização da Educação:

A privatização da Educação é um fenómeno crescente em todo o mundo. Algumas empresas privadas descobriram o potencial de mercado da Educação, bem como outros serviços públicos. O facto de a Educação ser um direito humano parece ter caído no esquecimento de muitos governos que delegam a responsabilidade de educar os seus cidadãos em entidades comerciais. Nos países em desenvolvimento, esse fenómeno está a levar à exclusão sistemática de crianças do sexo feminino das escolas. Muitos pais têm que escolher qual criança enviar para a escola, e algumas famílias investem até 30% dos seus rendimentos para terem os seus filhos na escola.

Saiba tudo sobre o 8º Congresso Mundial da Internacional da Educação, que acontece em Bangkok, na Tailândia, em: http://events.ei-ie.org/events/ei-s-8th-world-congress/event-summary-05cd63e204c54875a6857aa33ce77363.aspx

Ou em: https://www.facebook.com/educationinternational/

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