14-7-2026
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Inquérito nacional da FNE revela que 95,5% das escolas reconhecem a repetição anual das necessidades e 84,8% defendem mecanismos de estabilidade ou vinculação
A Federação Nacional da Educação (FNE) divulga os resultados de um Inquérito Nacional sobre os Técnicos Especializados para Formação nas Escolas Públicas, realizado junto de diretores de Agrupamentos de Escolas e Escolas Não Agrupadas, que evidencia uma realidade que exige uma resposta política e negocial.
O questionário recolheu 119 respostas, provenientes de 17 distritos, tendo sido identificados 283 técnicos especializados nas 66 escolas e agrupamentos que indicaram dispor destes profissionais. Os resultados demonstram que estes técnicos desempenham funções essenciais ao funcionamento das ofertas educativas e formativas, em áreas tão diversas como Restauração, Saúde, Turismo, Ação Social, Multimédia, Teatro, Audiovisuais, Eletrónica, Informática, Mecânica, Artes e muitas outras.
Os números são claros
Entre as escolas que contam com técnicos especializados:
Os dados confirmam, assim, uma contradição que a FNE considera impossível continuar a ignorar: as escolas têm necessidades permanentes, os profissionais desempenham funções permanentes, muitos permanecem durante anos nas mesmas escolas, mas continuam sujeitos a respostas laborais marcadas pela instabilidade e pela contratação sucessiva.
Não são apenas técnicos: são profissionais plenamente integrados na vida pedagógica das escolas
O inquérito demonstra também que a intervenção destes profissionais ultrapassa largamente a transmissão de conhecimentos técnicos ou a lecionação de componentes práticas.
Os técnicos especializados participam em reuniões pedagógicas, avaliação dos alunos, Provas de Aptidão Profissional, Formação em Contexto de Trabalho e componentes teóricas e práticas, assumindo ainda, em diversos casos, responsabilidades de direção de turma, direção de curso, coordenação e outras funções integradas na organização pedagógica das escolas
. Para a FNE, esta realidade deve ser devidamente reconhecida. Não é aceitável que profissionais plenamente integrados nas equipas pedagógicas e indispensáveis ao funcionamento de cursos e ofertas formativas permaneçam, ano após ano, numa situação profissional que não corresponde à natureza estrutural das funções que desempenham.
A precariedade não pode ser a resposta permanente para necessidades permanentes
A FNE considera que os resultados deste inquérito constituem uma base objetiva para a abertura de um processo de diálogo e negociação que permita encontrar uma solução integrada para estes profissionais.
Essa resposta deverá contemplar:
A FNE entende que esta não é apenas uma questão laboral. Está em causa a própria capacidade da escola pública para garantir estabilidade às suas equipas, continuidade aos seus projetos educativos e qualidade às respostas formativas que oferece aos alunos.
Os resultados agora conhecidos mostram que são as próprias direções escolares a reconhecer, de forma esmagadora, a permanência destas necessidades e a defender a criação de soluções de estabilidade.
É, por isso, tempo de transformar esse reconhecimento em resposta política.
Quando as necessidades são permanentes, quando as funções se repetem ano após ano e quando os mesmos profissionais permanecem durante longos períodos ao serviço das escolas, a resposta não pode continuar a ser permanentemente provisória.
A FNE manifesta a sua total disponibilidade para iniciar um processo de diálogo e negociação que permita construir uma solução justa, equilibrada e sustentável para os Técnicos Especializados para Formação nas Escolas Públicas.
“A escola pública precisa destes profissionais. E quem é necessário de forma permanente não pode continuar a ser tratado como provisório.
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