Burocracia nas escolas atinge nível estrutural e compromete o ensino, alerta estudo da FNE

6-1-2026

Burocracia nas escolas atinge nível estrutural e compromete o ensino, alerta estudo da FNE

Um relatório da Federação Nacional da Educação (FNE), baseado em 817 respostas recolhidas através da plataforma SIMPLICARE, revela que 93% dos docentes consideram existir excesso frequente de burocracia no exercício da profissão. Mais de 60% indicam dedicar mais de quatro horas semanais a tarefas administrativas.

A análise de contributos abertos mostra que o excesso de reuniões e atas, a duplicação de registos em múltiplas plataformas, a burocratização da avaliação e da educação inclusiva e a sobrecarga da Direção de Turma são os principais fatores de desgaste, desviando os professores da sua função central: ensinar.

Segundo a FNE, a simplificação administrativa e a uniformização nacional de procedimentos são hoje condições essenciais para melhorar a qualidade do ensino, valorizar a profissão docente e garantir uma escola pública mais eficaz.

A FNE reafirma a sua total disponibilidade para prosseguir este trabalho em sede de diálogo institucional e negocial, colocando ao serviço do MECI os dados, análises e propostas resultantes do Simplicare.pt. A desburocratização das escolas não constitui apenas uma medida de gestão: é uma opção política estruturante, indispensável para uma escola pública mais eficaz, mais justa e mais centrada na sua missão educativa.

“Os professores não pedem menos exigência. Pedem tempo para ensinar.”

 

Porto, 6 de janeiro de 2026


Síntese dos resultados (N = 817 respostas | 246 respostas abertas analisadas)

A burocracia tornou-se um constrangimento estrutural do sistema educativo, desviando tempo, energia e recursos do ato de ensinar.

Indicadores estruturais (dados quantitativos)

·      93% dos respondentes consideram existir excesso frequente de burocracia no exercício da função docente.

·      63% dedicam mais de 4 horas semanais a tarefas burocráticas; 26% mais de 7 horas/semana.

·      80% identificam relatórios e planificações como principal foco de sobrecarga.

·      50% assinalam a aplicação do Decreto-Lei n.º54/2018, de 6 de julho (EMAEI) como fortemente burocratizada.

·      77% dos respondentes têm mais de 20 anos de serviço, refletindo impacto elevado num corpo docente envelhecido.

Núcleos críticos identificados (análise qualitativa das respostas abertas)

·      Reuniões e atas excessivas — 30%
Reuniões frequentes, longas e pouco eficazes; atas extensas e redundantes, sem retorno pedagógico.

·      Plataformas digitais e duplicação de registos — 17%
Proliferação de plataformas não integradas; repetição da mesma informação em múltiplos sistemas e suportes.

·      Avaliação excessivamente burocrática — 15%
Grelhas complexas, avaliação por domínios, múltiplas versões de testes e processos formais desproporcionados.

·      Tarefas administrativas indevidas para docentes — 15%
Trabalho de secretaria, comunicações formais, mapas e procedimentos administrativos transferidos para professores.

·      Projetos e atividades em excesso — 10%
PES, Cidadania, DAC, PAA, EQAVET, CTE, entre outros, com impacto reduzido nas aprendizagens.

·      Direção de Turma e cargos intermédios — 7%
Sobrecarga estrutural, especialmente no 1.º CEB, sem tempos, redução letiva ou compensação adequados.

·      Educação Inclusiva — 7%
Exigência documental elevada, ausência de recursos humanos e técnicos, inclusão reduzida a formalidade administrativa.

·      Falta de uniformização nacional — 6%
Procedimentos e documentos criados localmente, gerando desigualdade, retrabalho e insegurança profissional.



Relatório integral




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