Ensino Profissional tem de ser mais valorizado

O auditório do Hotel Onix, em Viseu, recebeu a nona e última Conferência do Ciclo de Conferências 2018, que a FNE organiza em conjunto com a UGT, CEFOSAP, ISCTE-IUL, CBS e a UFP e que contou com a participação de Luís Pinto de Faria, da Universidade Fernando Pessoa, para uma conferência sobre  “EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E CIDADANIA: O TERRITÓRIO COMO PALCO SOCIAL”, e ainda de Conceição Caldeira, da Escola Profissional de Artes Tecnologias e Desporto, para uma conferência sobre “FORMAÇÃO PROFISSIONAL COMO FATOR DE INCLUSÃO SOCIAL”.

A primeira intervenção da sessão de abertura ficou a cargo do Secretário-Geral (SG) da FNE, João Dias da Silva, que chamou a atenção para um ano de 2019 que será marcado pela luta dos professores na recuperação do seu tempo de serviço de 9 anos, 4 meses e 2 dias, mas também pela necessidade de se discutirem outras questões estruturais do sistema educativo que o Ministério da Educação vai adiando debater. É preciso, nas palavras do SG da FNE, "perceber o que fazer para alcançarmos um sistema para todos e o que deve ser feito na formação e educação para que se contribua para uma sociedade mais justa" afirmou João Dias da Silva a abrir a Conferência.

Em seguida, o Vice-Presidente da Direção do SPZCentro, Jorge Santos, destacou o papel da UGT no desafio pelo desenvolvimento da educação em Portugal, pois apenas a educação pode permitir a coesão social e oferecer apoio tecnológico para o futuro. Tudo isto passará, segundo Jorge Santos, pelo debate de soluções e pela aposta na qualificação profissional, onde a UGT, através do CEFOSAP, tem papel fundamental.

Carlos Silva, Secretário-Geral da UGT, fechou esta sessão de abertura começando por realçar a luta da UGT pela valorização do fator trabalho e pelo recuo das desigualdades. O SG da UGT referiu que "pedimos uma audiência ao Presidente da República pois consideramos que é preciso também existir afetos por quem trabalha no serviço público", reforçando ainda que "o governo tem de valorizar o trabalho dos sindicatos e o serviço público pois essa é uma das formas de combater as desigualdades", fechando o seu discurso com a nota de que "reivindicar o 942 é um direito. Este governo não valoriza os seus professores. É tempo deste governo deixar de copiar os tiques autistas do anterior e defender o país e quem faz o bem".

 

"O espaço onde nos encontramos tem efeitos sobre o nosso comportamento"

Tempo depois para a primeira conferência. Luís Pinto de Faria, da Universidade Fernando Pessoa, foi o conferencista convidado para falar sobre o tema “EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E CIDADANIA: O TERRITÓRIO COMO PALCO SOCIAL”. O arquiteto começou por demonstrar à plateia alguns exemplos de como valorizamos as instalações urbanas e como isso acaba por interagir com a sociedade, pois, segundo dados estatísticos passamos 90% do nosso tempo dentro de edifícios. Para Luís Pinto de Faria estamos num tempo em que é necessário cada vez mais percebermos que o espaço onde nos encontramos tem efeitos sobre o nosso comportamento buscando exemplos como escolas mais antigas, cujos traços e organização arquitetónica demonstravam o seu elitismo. Daí ter sido defendido pelo conferencista que os estabelecimentos de ensino têm de fazer parte a longo prazo de uma nova estratégia que permita a adaptação ao desenho urbano.

Na intervenção do painel de comentadores, José Luís Abrantes (FNE/SPZC), referiu os problemas da interioridade no país como fator de desigualdade colocando a questão sobre o que fazer para atrair pessoas do litoral para o interior ao passo que Paula Antão (UGT-Viseu) referiu as dificuldades de introdução aos contextos educativos como uma dificuldade no alcançar de uma escola de todos e para todos. Já Joaquim Messias (FNE/SPZC) referiu o desajustamento na forma como se investe na educação pois existiram intervenções no parque escolar, mas os problemas continuam. Segundo o comentador "há falta de vontade política. Há muito por melhorar ao nível estrutural do parque escolar como por exemplo a eficiência energética que é algo que não parece ser uma preocupação", afirmou.

No espaço ao debate foi discutida a questão da criação de planos estruturais para o futuro do parque escolar português e como, de facto, a forma como a escola é organizada nos dias de hoje altera comportamentos nos alunos.

 

"O ensino profissional em Portugal tem a fama errada"

A conferência sobre “FORMAÇÃO PROFISSIONAL COMO FATOR DE INCLUSÃO SOCIAL” teve como conferencista convidada Conceição Caldeira, da Escola Profissional de Artes Tecnologias e Desporto. Após uma resenha sobre o contexto histórico do ensino profissional em Portugal, a professora disse que "o ensino profissional em Portugal tem a fama errada pois frequentar este tipo de ensino tem toda a dignidade". Segundo Conceição Caldeira "não podemos focar apenas nos resultados escolares. Há mais para referências para tirarmos conclusões sobre o papel do ensino profissional" sublinhando ainda que "as escolas profissionais ocuparam um espaço nunca antes ocupado e integrado com o meio em que estão inseridas". A conferencista destacou ainda o combate que se faz nestas escolas para que o aluno não desista e que se tenta gerir a aprendizagem de forma a alcançar soluções diferenciadas levando a que exista pouco abandono escolar no modelo das escolas profissionais havendo ainda bastante empregabilidade.

Os comentadores Luís Manuel Sobreira Lopes (UGT-Viseu), Rui Leandro Maia (Univ. Fernando Pessoa) e Jorge Santos (FNE/SPZC) concordaram na questão de que o ensino profissional não pode ser visto como um ensino que não é humanístico nem científico e continuar a viver algum ostracismo. Rui Leandro Maia, da Universidade Fernando Pessoa, disse que é cada vez mais necessário "aliar o saber ao fazer. Juntar o que se aprende ao que se faz depois nas empresas".

Já no debate que se abriu em seguida à plateia, considerou-se que é preciso apostar nas velhas profissões e que esse é um papel fundamental das escolas profissionais pois a vertente mais prática aplicada nestas escolas vai permitir aos alunos alcançarem um maior sucesso profissional.

A sessão de encerramento iniciou com Manuel Teodósio, Presidente da UGT-Viseu a demonstrar o papel que iniciativas educacionais têm tido na comunidade em Viseu, assim como a aposta na qualificação, onde o CEFOSAP tem tido destaque, pois, como referiu o presidente da UGT-Viseu, "qualificar não é colmatar falhas, mas sim atualizar as exigências que estão sempre a mudar". Em seguida, Lucinda Manuela Dâmaso, Presidente da UGT, na linha da declaração de Manuel Teodósio, reforçou a tradição na formação que a Escola Agostinho Roseta e o CEFOSAP possuem, dizendo ainda que os cursos profissionais são um motor para o sucesso de milhares de alunos sendo também de realçar o papel do ensino profissional na escola inclusiva e numa educação que combata desigualdades. A fechar, o Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, destacou o papel dos sindicatos que não podem ser colocados em segundo plano pois os sindicatos são o melhor meio de defesa dos trabalhadores. Almeida Henriques declarou ainda que para a Câmara de Viseu "a educação é uma convicção. Somos um município que quer potenciar as instituições, com principal enfoque no reforço da inclusão social", terminando a sua intervenção realçando que a as políticas de proximidade das autarquias permitem resultados diferentes das ações criadas pelo Ministério da Educação.

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