Ao aproximar-se o final de mais um ano letivo, impõe-se um momento de reflexão. Um tempo para fazer balanços, reconhecer o caminho percorrido, identificar o que foi alcançado e, sobretudo, perceber o muito que continua por fazer.
Este foi um ano letivo particularmente exigente para todos os profissionais da educação. Professores, educadores, investigadores, técnicos especializados, trabalhadores de apoio educativo e tantos outros continuaram a assegurar, com profissionalismo, competência e dedicação, o funcionamento das nossas escolas e instituições educativas, muitas vezes enfrentando condições que continuam aquém daquelas que justamente merecem.
Apesar dos progressos que foi possível alcançar em algumas matérias, persistem problemas estruturais que não podem continuar a ser adiados. A escassez de profissionais, o envelhecimento das carreiras, a necessidade de valorização salarial, a revisão dos regimes jurídicos e das carreiras, a melhoria das condições de trabalho, a redução da burocracia e a criação de condições que tornem as profissões da educação mais atrativas continuam a constituir prioridades inadiáveis.
A FNE esteve presente em todas estas frentes.
Fê-lo através do diálogo, da negociação, da apresentação de propostas concretas e da defesa firme dos interesses dos trabalhadores que representa. Procurámos sempre afirmar um sindicalismo responsável, exigente e construtivo, capaz de negociar quando existem condições para o fazer, mas igualmente determinado na denúncia e na reivindicação sempre que os compromissos assumidos não são cumpridos ou quando os direitos dos trabalhadores são colocados em causa.
Também o contexto político nacional conheceu desenvolvimentos relevantes. O novo ciclo político trouxe renovadas expectativas relativamente à valorização da Educação e dos seus profissionais. Algumas decisões tomadas vão no sentido das reivindicações que a FNE há muito defende. Outras continuam a exigir maior ambição, maior rapidez e maior capacidade de concretização.
É precisamente neste momento que importa reafirmar um princípio que tem orientado a ação da FNE ao longo da sua história: nenhuma transformação séria se alcança sem diálogo social, sem negociação coletiva e sem o envolvimento daqueles que diariamente fazem acontecer a Educação.
A revisão do Estatuto da Carreira Docente, as alterações aos regimes de recrutamento e colocação, a valorização das carreiras dos trabalhadores de apoio educativo (não docentes), a formação contínua, a melhoria das condições de trabalho e a dignificação de todas as profissões da Educação continuarão a marcar a nossa intervenção nos próximos meses.
Mas há uma certeza que importa deixar bem vincada.
Os desafios que enfrentamos não nos desanimam. Pelo contrário, reforçam a nossa determinação.
Sabemos que os problemas são muitos. Sabemos que nem sempre os avanços acontecem ao ritmo que todos desejamos. Sabemos também que existem dificuldades que exigem persistência, capacidade de negociação e sentido estratégico.
Contudo, sabemos igualmente que nenhuma conquista coletiva nasceu da resignação.
Nasceu sempre da participação, da unidade, da capacidade de acreditar que é possível construir soluções melhores.
É essa confiança que queremos transportar para o próximo ano.
Uma confiança sustentada no trabalho desenvolvido pelos sindicatos da FNE, na dedicação dos seus dirigentes e delegados sindicais e, sobretudo, na força dos milhares de trabalhadores que diariamente representam a verdadeira riqueza da Educação portuguesa.
É com todos eles que queremos continuar a construir respostas para os problemas atuais e antecipar os desafios do futuro.
Transformar dificuldades em oportunidades não é apenas um slogan. É uma forma de estar. Exige coragem para inovar, disponibilidade para dialogar, capacidade para encontrar consensos e firmeza para defender aquilo que consideramos essencial.
É esse o compromisso da FNE.
Continuaremos a trabalhar com responsabilidade, independência e determinação para que cada negociação produza melhores condições de trabalho, maior reconhecimento profissional e uma Escola Pública mais forte, mais inclusiva e de maior qualidade.
Acreditamos que o futuro se constrói todos os dias.
Constrói-se com envolvimento e participação.
Constrói-se com espírito crítico, mas também com espírito construtivo.
Constrói-se com esperança.
É essa esperança que queremos partilhar com todos os profissionais da Educação. A esperança de que é possível fazer melhor. A esperança de que vale a pena acreditar na força do trabalho coletivo. A esperança de que, juntos, conseguiremos alcançar os objetivos que há tanto tempo ambicionamos.
A FNE continuará ao lado dos trabalhadores, dos seus sindicatos e de todos aqueles que acreditam que investir na Educação é investir no futuro de Portugal.
Porque o futuro não se espera.
Constrói-se. Em conjunto.
Pedro Barreiros
Secretário-Geral
Federação Nacional da Educação