12-2-2026
A divulgação dos dados relativos à idade média dos docentes colocados no recente concurso externo extraordinário deve ser analisada com sentido de responsabilidade e com o indispensável enquadramento.
O foco não deve estar na idade dos professores colocados, mas nas políticas que, ao longo de vários anos, fragilizaram a atratividade da profissão docente e comprometeram a necessária renovação geracional.
A atual configuração etária do corpo docente é consequência de anos de congelamento e desvalorização das carreiras, de instabilidade contratual prolongada, de desgaste profissional crescente, de perda de poder de compra e da ausência de um planeamento estratégico consistente que assegurasse a substituição atempada dos docentes que se aposentam.
A idade dos professores não pode nem deve ser transformada num problema. Professores com maior experiência traduzem conhecimento acumulado, estabilidade pedagógica e maturidade profissional, constituindo pilares essenciais para a qualidade e a solidez do sistema educativo; a sua vinculação representa, igualmente, uma redução efetiva da precariedade e o justo reconhecimento da importância do seu contributo para a escola pública.
O verdadeiro desafio consiste em tornar a profissão docente novamente atrativa para os jovens. Tal exige a adoção de medidas estruturais claras e consequentes: valorização efetiva da carreira e desenvolvimento profissional, melhoria das condições de trabalho, redução da burocracia, reforço da autonomia profissional, criação de incentivos à fixação, compensação das despesas inerentes ao exercício da profissão e a implementação de um plano consistente e sustentado de rejuvenescimento da profissão.
A abertura de vagas extraordinárias é um passo relevante, mas será sempre insuficiente se não estiver integrada numa estratégia global de valorização e estabilidade.
Mais do que discutir médias etárias, importa discutir soluções estruturais que garantam o futuro da escola pública e da profissão docente.
O país precisa de políticas consistentes, previsíveis e justas que devolvam prestígio e confiança à carreira docente e que assegurem a sua renovação geracional de forma sustentada. A revisão do Estatuto da Carreira Docente constitui, por isso, uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.
Porto, 12 de fevereiro de 2026
Pedro Barreiros
Secretário-Geral da FNE
Categorias
Destaques