A Federação Nacional da Educação (FNE) considera profundamente injusta e desadequada qualquer afirmação que procure associar os professores a uma alegada resistência ou perturbação do processo de digitalização dos exames nacionais.
Os professores não perturbaram o processo. Pelo contrário, foram os professores que, perante sucessivas dificuldades técnicas, constrangimentos organizacionais e alterações aos procedimentos, garantiram, com enorme sentido de responsabilidade, disponibilidade e profissionalismo, que o processo pudesse prosseguir.
É importante não confundir a legítima identificação de problemas e a exigência de condições adequadas de trabalho com resistência à mudança. Os professores não são contra a inovação nem contra a digitalização. O que não podem aceitar é que processos desta dimensão sejam implementados sem a necessária preparação, testagem, formação, robustez tecnológica e capacidade de resposta.
A FNE regista, por isso, a admissão do Primeiro-Ministro de que existiram falhas ao nível político. Essas falhas são inegáveis e ficaram demonstradas ao longo de todo o processo, pelo que não podem ser relativizadas nem diluídas através da transferência de responsabilidades para os professores. As responsabilidades devem ser assumidas e devidamente apuradas. A modernização do sistema educativo exige liderança, planeamento, recursos e diálogo com os profissionais que, no terreno, são chamados a concretizar as mudanças.
Transformar os professores no problema, quando foram precisamente eles que, uma vez mais, contribuíram decisivamente para encontrar soluções e garantir o funcionamento do sistema, não é justo nem contribui para restaurar a confiança necessária.
A FNE continuará disponível para participar numa avaliação séria e rigorosa de todo o processo e para contribuir para a melhoria futura dos procedimentos associados à digitalização da avaliação externa.
Mas essa avaliação deve começar por reconhecer um princípio essencial: os professores não podem ser responsabilizados pelas falhas de um sistema que não conceberam, não contrataram e cuja implementação não decidiram.
A digitalização pode e deve avançar. Mas deve avançar com os professores, ouvindo os professores e respeitando os professores — nunca contra eles nem procurando responsabilizá-los pelas falhas que procuraram, com enorme esforço, ultrapassar.
Porto, 15 de julho de 2026