O Secretariado Nacional da Federação Nacional da Educação (FNE), reunido no Luso, em 17 de julho de 2026, data em que são conhecidos os resultados da 1.ª fase dos exames nacionais, faz o balanço de um processo marcado por dificuldades técnicas e organizacionais que colocaram uma pressão acrescida sobre os professores classificadores e sobre os restantes profissionais envolvidos.
Desde o primeiro momento, a FNE assumiu uma posição clara e responsável: denunciou os problemas, exigiu esclarecimentos, soluções e recusou que as falhas de planeamento, organização ou funcionamento fossem transferidas para os professores.
Apesar dos constrangimentos verificados, foram os professores classificadores que, com profissionalismo, sentido de responsabilidade e enorme disponibilidade, garantiram a conclusão do processo. Fizeram-no, em muitos casos, com uma sobrecarga de trabalho significativa, reorganizando a sua vida profissional e pessoal e trabalhando para além do que seria razoavelmente exigível.
O cumprimento dos prazos não pode, por isso, ser confundido com a inexistência de problemas.
Se o processo chegou ao fim, tal deve-se, em grande medida, ao esforço extraordinário dos profissionais que responderam às dificuldades que lhes foram colocadas e que não criaram.
A FNE considera justo e necessário o reconhecimento do trabalho extraordinário realizado pelos professores classificadores, mas reafirma que esse reconhecimento deve traduzir-se em medidas concretas e abranger todos aqueles que, com esforço e dedicação acrescidos, prestaram trabalho extraordinário para garantir o funcionamento e a conclusão deste processo.
O tempo de trabalho tem valor. O sentido de missão dos professores não pode continuar a ser utilizado para ultrapassar as falhas do sistema. O extraordinário não pode tornar-se normal.
A divulgação dos resultados não encerra, por isso, este processo. É agora indispensável avaliar com rigor o que aconteceu, identificar as causas das dificuldades, retirar as necessárias conclusões e introduzir as alterações que garantam que situações semelhantes não se repetem.
A modernização e a digitalização dos processos podem representar um avanço, mas só serão verdadeiramente positivas se forem devidamente planeadas, construídas com a participação dos profissionais que as concretizam, testadas, acompanhadas e avaliadas.
Neste sentido, o Secretariado Nacional da FNE:
• reconhece e valoriza o profissionalismo, o empenho e o sentido de responsabilidade demonstrados pelos professores classificadores e por todos os profissionais envolvidos;
• rejeita qualquer tentativa de responsabilizar os Professores por falhas tecnológicas, organizacionais ou de planeamento que não lhes são imputáveis;
• exige o reconhecimento e a compensação de todo o trabalho extraordinário efetivamente realizado;
• considera indispensável uma avaliação rigorosa e transparente de todo o processo, da qual sejam retiradas as necessárias conclusões;
• rejeita que o recurso ao esforço extraordinário dos profissionais se transforme numa solução para ultrapassar falhas do sistema;
• exige que os futuros processos de digitalização sejam preparados com rigor, testados atempadamente;
• mantém a sua disponibilidade para contribuir para a avaliação do processo e para a melhoria dos procedimentos futuros.
A FNE reafirma que o sucesso de qualquer processo educativo depende, antes de mais, do respeito pelos profissionais que o concretizam.
O empenho dos Professores permitiu responder às dificuldades. Mas esse empenho não pode servir para esconder as falhas, dispensar a avaliação do que aconteceu ou evitar as mudanças que se impõem.
Luso, 17 de julho de 2026
O Secretariado Nacional
Federação Nacional da Educação