Resultados próximos da média da OCDE não podem esconder a quebra registada nos últimos anos. A FNE defende que melhorar as aprendizagens exige investir nos professores e devolver às escolas condições para ensinar e aprender.
Os resultados do PISA 2025 mostram Portugal próximo da média da OCDE, mas revelam uma evolução que deve preocupar: entre 2022 e 2025, os alunos portugueses perderam 3 pontos em Ciências, 15 em Leitura e 12 em Matemática.
Para a FNE, mais importante do que discutir rankings é perceber por que razão Portugal está a perder terreno e encontrar respostas que permitam inverter esta tendência.
|
Há quatro dados que merecem particular atenção:
- 18,6% dos jovens portugueses apresentam baixo desempenho simultaneamente em Ciências, Leitura e Matemática;
- apenas 9% atingem níveis elevados de desempenho, abaixo dos 11,9% da média OCDE;
- somente 12,9% dos alunos frequentam escolas cujos diretores indicam não existir falta de professores, contra 28,8% na OCDE;
- 48,3% dos alunos utilizam IA pelo menos semanalmente para aprender, mas apenas 57,4% dizem aprender nas aulas a avaliar informação produzida por Inteligência Artificial.
|
A FNE considera especialmente preocupante a evolução da Leitura. A própria OCDE alerta para a deterioração destas competências, fundamentais para compreender, interpretar e avaliar informação numa sociedade cada vez mais digital.
“Portugal não pode conformar-se com estar próximo da média da OCDE quando os resultados mostram que estamos a perder terreno. Temos de perceber o que está a acontecer e agir, sem procurar soluções rápidas ou reformas sucessivas que não respondem aos problemas estruturais das nossas escolas.”
Os resultados deixam também uma mensagem que a FNE considera inequívoca: não é possível discutir a qualidade das aprendizagens sem falar das condições em que se ensina e aprende.
Apesar das dificuldades sentidas pelas escolas na disponibilidade de docentes, Portugal apresenta no PISA um nível de apoio dos professores aos alunos superior à média da OCDE.
“Os professores continuam a ser uma das maiores forças da Escola Pública. Se queremos melhores resultados para os alunos, temos de garantir professores suficientes, valorizados e com condições para fazer aquilo que melhor sabem fazer: ensinar e acompanhar cada aluno.”
Para a FNE, isso exige uma estratégia continuada para atrair, formar, fixar e reter professores, valorizar carreiras e salários, melhorar as condições de trabalho e reduzir a burocracia.
IA deve ajudar os alunos a pensar, não pensar por eles
O PISA 2025 deixa ainda um alerta sobre a utilização das tecnologias. A OCDE conclui que os resultados dependem da forma como os dispositivos digitais e a IA são utilizados: a tecnologia pode apoiar a aprendizagem, mas a distração digital e a utilização excessiva estão associadas a piores resultados.
A utilização da IA é comum, mas a utilização diária é pouco frequente, o que demonstra que a sua integração na aprendizagem ainda se encontra numa fase muito inicial.
Para a FNE, Portugal deve apostar numa verdadeira estratégia de literacia digital e Inteligência Artificial, reforçando simultaneamente competências como a leitura, concentração, interpretação, pensamento crítico e autonomia intelectual.
“A Inteligência Artificial deve ajudar os nossos alunos a pensar melhor, nunca substituir o seu pensamento. Numa escola cada vez mais tecnológica, precisamos ainda mais de professores e de relações humanas fortes.”
Essa estratégia deve incluir uma forte aposta na competência dos professores na integração de dispositivos digitais no ensino. À medida que a utilização da tecnologia cresce exponencialmente, o uso excessivo constitui um problema, e a falta de apoio e preparação dos professores está claramente a ter um efeito negativo na maioria dos países.
Numa leitura global dos resultados, o PISA 2025 registou o desempenho médio da OCDE mais baixo observado até à data em ciências, leitura e matemática.
O bullying aumentou desde 2022, o que está em consonância com os resultados de que dispomos noutros contextos. O bullying relacional, em particular, agravou-se. Todas as formas de bullying estão associadas a níveis mais baixos de desempenho académico. O absentismo e os atrasos também aumentaram.
No capítulo ambiental, torna-se evidente que a educação ambiental está em declínio, precisamente numa altura em que as alterações climáticas se agravam. Não só os países estão a negar a ciência climática, como também estão a ensiná-la cada vez pior. É provável que isto se deva a uma combinação de fatores, desde o aumento da desinformação sobre o clima até à natureza cada vez mais polarizada do debate em torno deste facto científico.
Por todos estes fatores, a FNE defende que os resultados do PISA 2025 sejam utilizados não para produzir mais um debate passageiro sobre rankings, mas para construir uma verdadeira estratégia educativa de médio e longo prazo.
Melhorar as aprendizagens começa por criar melhores condições para ensinar e aprender.
Porto, 8 de setembro de 2026
A Comissão Executiva
Federação Nacional da Educação