5-10-2026
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Neste Dia Mundial do Professor, quero começar por dizer, a todos os colegas, uma coisa muito simples, mas que sinto profundamente: obrigado.
Obrigado por aquilo que fazem todos os dias. Pela dedicação, pela persistência e por continuarem a acreditar que vale a pena ensinar, mesmo quando nem sempre é fácil.
Digo-o como Secretário-Geral da FNE, naturalmente. Mas digo-o, acima de tudo, como Professor. Como alguém que conhece a nossa profissão, que partilha as alegrias e as dificuldades e que continua a sentir um enorme orgulho quando diz: sou Professor.
Sempre acreditei que esta é uma das profissões mais importantes do mundo.
Porque ser professor é muito mais do que ensinar uma matéria ou transmitir conhecimento. É olhar para uma criança ou para um jovem e conseguir ver aquilo que, muitas vezes, ele próprio ainda não consegue ver. É acreditar nas suas potencialidades. É ajudá-lo a descobrir caminhos, a ultrapassar dificuldades, a ganhar confiança e a perceber que pode ir mais longe.
Há poucas coisas tão bonitas como sabermos que, em algum momento, fizemos a diferença na vida de alguém. Porque, no fim, a importância de um professor não cabe num decreto, não se mede numa tabela, nem se resume a números ou estatísticas.
Mede-se nas vidas que ajudámos a transformar. Naquele aluno que não desistiu porque alguém acreditou nele. Naquele jovem que encontrou o seu caminho. Na memória de quem, muitos anos depois, ainda se lembra de um professor, de uma palavra, de um gesto, de um conselho que fez a diferença.
É aí que está uma parte insubstituível da grandeza da nossa profissão.
E talvez seja essa uma das razões pelas quais continuamos. Porque sabemos que aquilo que fazemos importa. Importa aos nossos alunos, às suas famílias e ao futuro do nosso país.
Mas é também precisamente por gostar desta profissão e por acreditar profundamente nela que não me resigno à sua desvalorização.
Quero uma profissão respeitada e reconhecida pela sociedade. Quero uma carreira docente que valorize verdadeiramente o trabalho, a experiência e a dedicação de cada professor.
Quero melhores condições de trabalho e, sobretudo, quero que voltemos a ter tempo para sermos professores.
Tempo para preparar as nossas aulas, para ensinar, para acompanhar cada aluno, para estudar, pensar, atualizar conhecimentos e melhorar aquilo que fazemos. E quero que deixemos de desperdiçar tantas horas em reuniões, projetos, procedimentos, tarefas administrativas e numa componente não letiva cada vez mais preenchida por tudo aquilo que nos afasta da razão pela qual escolhemos esta profissão: ensinar.
Quero uma escola onde os professores possam concentrar-se no essencial e onde exista um bom ambiente para ensinar e para aprender. Uma escola onde a indisciplina, a intimidação e a violência não sejam normalizadas nem toleradas; onde se promova o respeito, a responsabilidade e uma verdadeira cultura de convivência escolar.
E quero que seja devolvida aos professores a autoridade que precisam para exercer plenamente a sua missão. Não uma autoridade baseada no autoritarismo, mas a autoridade de quem educa, estabelece regras, exige respeito e assume a responsabilidade de ajudar cada aluno a crescer.
Porque também isto é valorizar os professores: dar-lhes tempo para serem professores, condições para ensinar e autoridade para educar.
E quero que os mais jovens possam voltar a olhar para esta profissão com entusiasmo e dizer, sem hesitar: “Eu quero ser professor.” Esse é o futuro que temos de construir.
Na FNE, continuaremos a privilegiar o diálogo, a negociação e a procura de soluções. Mas fá-lo-emos sem abdicar daquilo em que acreditamos e daquilo que consideramos justo para os professores e educadores.
Porque dialogar não é desistir das nossas convicções. Ser responsável não é resignarmo-nos. E procurar acordos nunca pode significar, deixar de lutar pelo que ainda falta conquistar.
Temos desafios exigentes pela frente. Sabemo-lo.
Mas eu também sei outra coisa: conheço a força, a competência e a enorme humanidade dos milhares de educadores e professores que, todos os dias, entram numa escola e continuam a acreditar nos seus alunos.
É nessa força que confio.
E sei também que muitos de vós confiam em nós. Confiam na nossa voz, na nossa ação e na responsabilidade com que procuramos representar-vos. Essa confiança exige muito de nós e nunca pode ser tomada como garantida.
Por isso, continuaremos a procurar, em cada negociação e em cada decisão, resultados concretos que façam a diferença na vida dos professores e educadores: melhores condições de trabalho, uma carreira mais justa, maior valorização profissional e mais respeito pela nossa profissão.
Fá-lo-emos com sentido de responsabilidade, com independência e com a firmeza necessária, sem outros interesses que não sejam os daqueles que representamos.
Porque é essa a nossa obrigação: saber dialogar quando o diálogo permite avançar, saber exigir quando é preciso exigir e, acima de tudo, não perder de vista aquilo que verdadeiramente importa: melhorar a vida profissional de quem todos os dias faz a Escola acontecer.
Neste Dia Mundial do Professor, deixo-vos uma palavra de confiança e de esperança: continuemos a acreditar na nossa profissão, a defendê-la e a lutar para que seja respeitada e valorizada, sem nunca perdermos, apesar de todas as dificuldades, o orgulho de dizer: Sou Professor.
Feliz Dia Mundial do Professor!
Pedro Barreiros
Secretário-Geral da FNE
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