Transferência de competências para os municípios - FNE: razões e prevenções
A FNE considera que se deve apostar no aprofundamento da intervenção das comunidades locais na definição das respetivas políticas educativas. Para se conseguir este objetivo, torna-se necessária a revisão do papel do conselho municipal de educação, o qual deve perder o caráter de órgão de aconselhamento do presidente da câmara, para passar a constituir um fórum de participação das comunidades na orientação educativa no seu espaço de intervenção. Neste quadro, a FNE continua a defender que, em termos de competências das Autarquias Locais, faz sentido reforçar e aprofundar o seu papel como promotores das políticas que pertencem à sua área de intervenção, nomeadamente no que diz respeito às ofertas educativas de conceção local, o desenvolvimento de um esforço para o aumento da oferta de educação pré-escolar, dos 0 aos 5 anos de idade, a criação de incentivos de fixação do pessoal docente aos projetos educativos das escolas, a capacidade de decisão para intervirem ao nível da construção, desenvolvimento de projetos educativos locais, conservação e manutenção dos edifícios da rede pública dos Jardins de Infância e das escolas dos ensinos básico e secundário, o regime de Ação Social Escolar, os mecanismos dos Transportes Escolares, a elaboração das Cartas Educativas. Em relação a esta matéria, e para além da defesa do princípio de que não podem ser integradas no âmbito de competências municipais as matérias relativas à gestão de recursos humanos, as preocupações da FNE centram-se na defesa que o reforço de competências dos Municípios deve ser sempre acompanhado das transferências financeiras que assegurem condições para que aqueles substituam, e com mais qualidade, o que a Administração Central tem assegurado. A FNE tem vindo a acompanhar a dinâmica, que desde 1984, tem vindo a ser prosseguida no sentido de uma progressiva desconcentração administrativa de competências para as autarquias, em matéria de educação e não deixará de se envolver participando ativamente neste processo, no presente e no futuro. Para a FNE, o processo de transferência de competências para os Municípios em matéria de educação, nomeadamente ao nível da gestão do pessoal não docente, a partir de 2008, tem sido marcado por um razoável conjunto de incoerências, ambiguidades e distorções que têm provocado significativo mal-estar particularmente entre os trabalhadores envolvidos e originando situações de disfuncionalidade organizacional nas escolas, que urge resolver, como sistematicamente tem vindo a exigir. A FNE continua a preferir que a gestão dos trabalhadores não docentes seja da responsabilidade das escolas a que pertencem, até porque um tal pressuposto é garantia da preservação dos conteúdos funcionais específicos que estes trabalhadores são chamados a desempenhar. É também claro para a FNE que a gestão do pessoal docente deve continuar a ser garantida pelo Ministério da Educação, isto é, quer a seleção, quer o recrutamento, quer as remunerações, devem continuar a ser responsabilidade do MEC. São de rejeitar quaisquer formas de intervenção que ponham em causa este princípio. A FNE entende que há competências que devem desenvolver-se numa política de proximidade e que as autarquias devem assumir essas dinâmicas. No entanto, rejeita que se opere uma transferência global das competências do Ministério da Educação e Ciência para os municípios, para além de considerar que as preocupações fundamentais que devem presidir a este processo têm de se centrar nas questões da eficácia, da equidade e da preservação da coesão social. Na perspetiva da FNE, qualquer descentralização não pode constituir uma barreira à garantia de condições para o pleno exercício da autonomia das instituições escolares, nomeadamente no que diz respeito à dimensão curricular. A opção pelo aprofundamento da autonomia das escolas é essencial e justifica-se pela proximidade das decisões em relação aos problemas concretos e específicos de cada uma e é uma garantia da preservação do que são as dimensões de trabalho escolar de que a escola não prescinde. Finalmente, a FNE entende que um processo desta natureza: a) deve sempre integrar os trabalhadores que são nele envolvidos e que decisões desta natureza, mesmo com caráter experimental, só devem poder ocorrer se houver concordância dos trabalhadores envolvidos; b) deve procurar-se um amplo consenso social e político para garantir a durabilidade e a estabilidade das políticas educativas.
FNE preocupada com as compensações a docentes
Com o anúncio de que está aberto o período para que os docentes prejudicados pela anulação da primeira Bolsa de Contratação de Escola (BCE), a Federação Nacional da Educação manifesta a sua preocupação com o facto de muitos professores não terem todos os documentos que comprovam as despesas efetuadas. Esta quarta-feira começa a contar o prazo de 15 dias úteis para que sejam requeridas compensações financeiras por parte dos professores com colocação anulada devido aos erros na Bolsa de Contratação de Escola no início do ano letivo. Os requerimentos devem ser acompanhados de cópias dos documentos comprovativos das despesas. É esta condição que preocupa o líder da FNE, que teme que as despesas não sejam totalmente compensadas nos casos em que as pessoas não pediram fatura ou entretanto a perderam. Desde o primeiro momento que a FNE considera que a compensação financeira é apenas uma parte do prejuízo que os docentes envolvidos sofreram, já que há outras ordens de impacto negativo nas próprias pessoas e nos seus familiares que não são quantificáveis. Deste modo, torna-se evidente que, ao menos, os prejuízos de âmbito financeiro devem ser totalmente cobertos, independentemente da capacidade de prova que os docentes possam apresentar. Para a FNE, as despesas deveriam ser compensadas independentemente de haver documento comprovativo, devendo haver flexibilidade por parte da comissão de acompanhamento criada pelo Ministério da Educação para analisar as eventuais compensações financeiras. De qualquer modo, a FNE garante que os serviços de apoio dos diferentes sindicatos membros estão inteiramente disponíveis para apoiarem os docentes neste processo, nomeadamente nas circunstâncias em que a capacidade de prova possa estar diminuída.
Contratação de docentes fica com o Governo
Transferência de competências prevê mais escolas com contratos de autonomia
FNE quer manter professores na tutela do Ministério da Educação
A Federação Nacional da Educação (FNE) defendeu hoje que os professores devem continuar sob a alçada do Ministério da Educação, no âmbito de uma futura atribuição de mais competências às autarquias. “A gestão do pessoal não docente deve continuar a ser garantida pelo Ministério da Educação, quer a seleção, quer o recrutamento, quer as remunerações”, afirma a FNE em comunicado, na sequência de uma reunião com o Ministério da Educação sobre a chamada municipalização da educação. A federação diz mesmo que são de rejeitar quaisquer formas de intervenção que ponham em causa aquele princípio. A FNE manifesta-se favorável a que os restantes funcionários das escolas sejam responsabilidade dos estabelecimentos em que estão enquadrados, mas frisa que o processo de transferência de competências da administração central para as autarquias deve envolver os trabalhadores nas decisões que lhes dizem respeito. “O processo de transferência de competências, nomeadamente ao nível da gestão do pessoal não docente, a partir de 2008, tem sido marcado por um razoável conjunto de incongruências, ambiguidades e distorções que têm provocado um significativo mal-estar”, alerta a FNE. A estrutura sindical afirma que foram causadas situações de “disfuncionalidade organizacional” nas escolas, que urge resolver. Vinca também que o reforço de competências para os municípios deve ser “sempre acompanhado” das transferências financeiras necessárias. Para a FNE, faz sentido reforçar as competências das autarquias no que diz respeito à oferta educativa local, com aumento da rede pré-escolar, por exemplo, e juntamente com incentivos de fixação dos docentes às escolas. Neste sentido, considera que deve ser revisto o papel do Conselho Municipal de Educação: “Deve perder o caráter de órgão de aconselhamento do presidente da Câmara para passar a constituir um fórum de participação das comunidades na orientação educativa”. A Federação Nacional de Professores (Fenprof) entende que “a municipalização em curso” não resolve os problemas, antes os agrava e cria outros. No dia em que a FNE foi ao Ministério da Educação para uma reunião sobre esta matéria, a Fenprof emitiu um comunicado para reafirmar a sua posição, em que acusa o Governo de estar a negociar o processo “de forma quase clandestina”, à margem das comunidades educativas. De acordo com a Fenprof, têm vindo a ser negociados contratos com algumas câmaras que, a serem concretizados, entrarão em vigor em janeiro e contemplam matéria “de ordem pedagógica”. A Fenprof cita como exemplo a “possibilidade de gestão dos docentes entre as diversas e agrupamentos” do território municipal, a colocação de professores até 25 por cento e “a imposição de medidas” que permitam reduzir o número de docentes “abaixo do que o ministério estima como necessários”. A Fenprof insiste que o ministério atribuiu mesmo “um prémio pecuniário a quem consiga reduzir o número de docentes”.
Nova formação financeira em Fevereiro
Arranca a 7 de Fevereiro a terceira acção de formação de professores, no âmbito do Referencial de Educação Financeira para a Educação Pré-Escolar, o Ensino Básico, o Ensino Secundário e a Educação e Formação de Adultos. Consulte AQUI o PDF na íntegra
Federação de Educação quer prova de avaliação eliminada face a pareceres contra
O secretário-geral da Federação Nacional de Educação defendeu hoje que a prova de avaliação dos professores deve ser eliminada face ao número de entidades que a contestam e às quais se juntou segunda-feira o Conselho Científico. Para João Dias da Silva, o Ministério da Educação deve agir perante “a multiplicidade de entidades, entre as quais a Federação nacional de Educação e o Conselho Científico do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), cuja opinião vai no sentido de a prova dever ser eliminada e que não exista como elemento de seleção das pessoas para entrarem no sistema educativo”. O Conselho Científico defendeu, num parecer divulgado na segunda-feira, que a validade da prova de avaliação docente é “pouco fundamentada” e que só se justifica se o Ministério da Educação duvidar da qualidade da formação inicial. Num parecer sobre a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC) dos professores, o Conselho Científico do organismo que coordena a aplicação da prova questiona a justificação para introduzir este exame entre a conclusão do curso superior e o período probatório de um ano, em que os professores são sujeitos a uma avaliação por parte de colegas mais graduados, ficando dependentes de uma avaliação igual ou superior a 'Bom' para poderem ingressar na carreira docente. “Este parecer coincide com aquilo que a FNE sempre defendeu relativamente à contestação da existência da prova”, sublinhou Dias da Silva, acrescentando que a federação sempre considerou que “a prova não fazia sentido” e “não acrescentava absolutamente nada (…) à garantia da qualidade da formação dos professores que entram no sistema educativo”. De acordo com o sindicalista, essa garantia de qualidade só é conseguida através de dois momentos de intervenção: “a formação inicial e o período de indução”, durante o qual o novo professor é acompanhado por um mais experiente e com formação especializada. PMC/IMA // ARALusa/Fim
Há uma nova cultura escolar - defendeu David Justino
Professores, pais e não docentes reuniram-se este sábado em nome de uma Educação de qualidade para todos. Durante todo o dia a 1ª Convenção FNE/CONFAP serviu de palco a um aceso debate sobre os desafios do setor. No final fica a certeza de que apesar dos avanços obtidos, há muito trabalho a fazer para cumprir o objetivo da universalidade na Educação  “Eu não quero esquecer os erros mas não podemos ignorar aquilo que foi bem feito na Educação”, disse David Justino na 1ª Convenção FNE /CONFAP – por uma escola pública de qualidade para todos. A frase marcou, de resto, toda a intervenção do ex-ministro da Educação que veio defender a tese de uma evolução positiva do sistema de ensino em Portugal. Para David Justino os factos não deixam dúvidas, nomeadamente em matéria de abandono escolar precoce onde, em 1991, a taxa de abandono situava-se nos 63% e os últimos números, relativos a 2011, demonstram que a taxa de abandono escolar precoce, em Portugal, situa-se nos 27%. “Atualmente temos uma taxa de abandono escolar precoce inferior à Espanha”, afirmou. David Justino defendeu ainda uma melhoria da qualidade do ensino, assente na modernização do parque escolar e numa nova cultura de funcionamento. “ Nós temos agora melhor organização escolar. De um modo geral o ambiente físico das escolas é hoje muito melhor. Há uma nova cultura escolar e as escolas estão agora mais abertas a toda a comunidade “, sublinhou o professor catedrático.
Manual de apoio ao docente desempregado - 2012
Manual de apoio ao docente desempregado
Boletim Internacional FNE - janeiro 2015
A edição de janeiro do Boletim Internacional FNE já está disponível para consulta.
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