<![CDATA[Notícias]]> https://fne.pt Thu, 10 Sep 2026 16:10:08 +0100 Thu, 10 Sep 2026 16:10:08 +0100 (fne@fne.pt) fne@fne.pt Goweb_Rss http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss <![CDATA[Integração dos 1.º e 2.º ciclos: mudar só se for para melhorar!]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11079 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11079

A intenção anunciada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação de avançar para uma integração dos atuais 1.º e 2.º ciclos representa uma alteração profunda na organização da Escola e terá consequências diretas no trabalho de milhares de professores.

A FNE considera que existem razões que justificam uma reflexão séria sobre o atual modelo. A transição do 4.º para o 5.º ano significa, para muitas crianças, passar abruptamente de um professor de referência para um número elevado de professores, disciplinas e formas diferentes de organização do trabalho escolar.

Uma maior continuidade entre os 6 e os 12 anos, equipas pedagógicas mais estáveis, melhor articulação entre professores e uma introdução progressiva da especialização disciplinar podem representar vantagens para os alunos e para as suas aprendizagens.

Também consideramos particularmente importante a intenção manifestada da redução da componente letiva dos professores do 1.º ciclo para as 22 horas. A FNE há muito defende a necessidade de corrigir o tempo e as condições de trabalho.

Mas uma reforma desta dimensão não pode limitar-se a redesenhar ciclos, disciplinas ou horários.

Uma reforma pedagógica não pode servir para gerir a falta de professores

A FNE considera indispensável garantir que esta reorganização não venha a ser utilizada para responder administrativamente à escassez de docentes, reduzir necessidades de contratação ou criar novas formas de mobilidade e fragmentação do trabalho dos professores. Seria contraditório procurar reduzir a fragmentação das aprendizagens dos alunos criando maior fragmentação nos horários e na vida profissional dos docentes.

Por isso, qualquer novo modelo terá de assegurar condições muito claras: equipas docentes estáveis; número adequado de turmas e alunos por professor; tempo efetivo para trabalho colaborativo; respeito pelas habilitações profissionais; salvaguarda dos atuais grupos de recrutamento e dos direitos adquiridos; e prevenção da itinerância de professores entre diferentes escolas para completar horários.

Há igualmente questões que precisam de ser respondidas antes de qualquer decisão definitiva, entre as quais:

1 - Quem poderá ensinar nos diferentes anos deste novo ciclo?
2 - Que habilitações serão exigidas?
3 - O que acontecerá aos atuais professores e grupos de recrutamento dos 1.º e 2.º ciclos?
4 - Como serão organizados os concursos e os quadros?
5 - Como serão contabilizados a componente letiva, o trabalho colaborativo e as reduções por idade e tempo de serviço?
6 - Que impacto terá a reforma na mobilidade dos professores e na rede de escolas?
7 – Que condições físicas e materiais serão asseguradas às escolas para a concretização desta eventual integração dos 1.º e 2.º ciclos?

Estas questões não são meramente administrativas. São determinantes para perceber que Escola e que profissão docente resultarão desta reforma.

A FNE está disponível para discutir. Mas exige negociação.

A FNE não parte para este debate com uma posição fechada contra a mudança. Há problemas no atual modelo que devem ser enfrentados e esta discussão pode constituir uma oportunidade para melhorar a organização pedagógica e, simultaneamente, corrigir desigualdades nas condições de trabalho dos professores.

Mas também não damos antecipadamente um cheque em branco a qualquer modelo.

Defendemos que qualquer experiência-piloto seja precedida de discussão e negociação com as organizações sindicais, acompanhada pelos professores e pelas escolas e avaliada de forma rigorosa antes da sua generalização.

Não aceitaremos que uma reforma destinada a reduzir a fragmentação das aprendizagens acabe por aumentar a fragmentação do trabalho dos professores.

A mudança só fará sentido se significar melhores aprendizagens para os alunos, melhores condições de trabalho para os professores e uma Escola Pública de qualidade.

Mudar, sim. Mas mudar para melhorar.

Nota: A posição da FNE não é nova nem extemporânea. Já em 21 de janeiro de 2026, perante os primeiros anúncios de alterações à organização dos ciclos de ensino, a FNE tomou posição e dirigiu um ofício ao MECI, alertando para os impactos que mudanças desta natureza podem ter na organização das escolas, nos grupos de recrutamento, nos horários, na mobilidade e nas condições de trabalho dos professores, e exigindo informação, participação e negociação prévias. É, pois, com coerência e no seguimento dessa intervenção que a FNE se pronuncia agora sobre a anunciada integração dos ciclos, uma alteração profunda na organização da Escola e com consequências diretas no trabalho de milhares de professores.

Lisboa, 10 de setembro de 2026

A Comissão Executiva

Federação Nacional da Educação

 

 

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Thu, 10 Sep 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[RJEPE: Governo elimina complemento de habitação e prevê integração dos valores nos salários dos professores ]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11078 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11078
A Federação Nacional da Educação (FNE), representada por Paulo Fernandes, Secretário-Geral Adjunto da FNE e Teresa Soares, Secretária Executiva da FNE e Presidente do SPCL, voltou a reunir-se com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) no âmbito do processo de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE). Apesar de alguns avanços, permanecem por definir questões consideradas fundamentais pela FNE, nomeadamente as condições remuneratórias e de trabalho dos docentes.

Uma das principais novidades da reunião foi a decisão do Governo de eliminar o proposto complemento de apoio à habitação. A medida era contestada pelas organizações sindicais por ser considerada discriminatória, uma vez que deixaria de fora professores que já possuíssem habitação própria no país onde exercem funções. Em alternativa, os montantes previstos para esse complemento deverão ser integrados no vencimento base dos professores.

Para a FNE, esta alteração poderá representar uma evolução positiva, uma vez que os valores integrados no vencimento base terão impacto também nos descontos para os diferentes sistemas de proteção social. No entanto, a Federação sublinha que ainda não são conhecidos os moldes concretos em que esta integração será feita, nem os valores finais das novas tabelas salariais.

Outro dos problemas destacados pela Federação prende-se com o recurso ao ensino a distância, sobretudo nos países onde predomina o chamado ensino paralelo, realizado fora do horário escolar regular. A FNE considera que esta solução não garante uma resposta suficientemente atrativa e adequada aos alunos portugueses, podendo contribuir para uma maior fragilização do EPE.

Também no ensino integrado continuam a existir carências de professores. Foram identificadas necessidades de docentes de Português em vários países, com destaque para a França, onde faltariam cerca de 20 professores, a Alemanha, com uma necessidade estimada de três docentes e a Suíça, com duas vagas por preencher. No conjunto do EPE, a FNE aponta para um universo de cerca de 280 professores em falta, situação que considera incompatível com a necessidade de assegurar uma resposta de qualidade às comunidades portuguesas.

A Federação alerta ainda para a dificuldade de atrair novos docentes para o sistema, tendo em conta as atuais condições de trabalho e remuneração. Foi aberto um procedimento concursal local, mas permanece a incógnita sobre o número de candidatos que irá responder, num contexto em que as condições oferecidas são consideradas pouco atrativas.

Durante a reunião, a FNE voltou também a defender a redução da componente letiva dos professores e reiterou outras reivindicações relacionadas com as condições de exercício da profissão. Entre as matérias que continuam em discussão estão o pagamento das ajudas de custo e do subsídio de transporte, tendo havido já alguma evolução na redação de determinadas disposições do novo regime jurídico, embora, segundo a Federação, seja necessário consolidar esses avanços.

Apesar das negociações em curso, a FNE considera que não haverá melhorias significativas no EPE já no início do presente ano letivo, uma vez que várias das alterações dependem ainda da conclusão do processo negocial e da aprovação das novas disposições. A expectativa é, assim, de que persistam durante mais algum tempo as dificuldades que têm marcado o sistema, incluindo a falta de professores.

As próximas reuniões entre a FNE e o Ministério dos Negócios Estrangeiros já estão agendadas para 17 e 24 de setembro. No encontro de 17 de setembro deverá ser apresentada a nova proposta de redação do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro, bem como, em princípio, as novas tabelas salariais. Só nessa fase será possível avaliar de forma mais concreta o alcance das alterações propostas e o impacto que poderão ter nas condições de trabalho e de remuneração dos professores do EPE.


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Wed, 09 Sep 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[PISA 2025: FNE alerta que Portugal está a perder terreno nas aprendizagens]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11075 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11075

Resultados próximos da média da OCDE não podem esconder a quebra registada nos últimos anos. A FNE defende que melhorar as aprendizagens exige investir nos professores e devolver às escolas condições para ensinar e aprender.

Os resultados do PISA 2025 mostram Portugal próximo da média da OCDE, mas revelam uma evolução que deve preocupar: entre 2022 e 2025, os alunos portugueses perderam 3 pontos em Ciências, 15 em Leitura e 12 em Matemática.

Para a FNE, mais importante do que discutir rankings é perceber por que razão Portugal está a perder terreno e encontrar respostas que permitam inverter esta tendência.

Há quatro dados que merecem particular atenção:

  • 18,6% dos jovens portugueses apresentam baixo desempenho simultaneamente em Ciências, Leitura e Matemática;
  • apenas 9% atingem níveis elevados de desempenho, abaixo dos 11,9% da média OCDE;
  • somente 12,9% dos alunos frequentam escolas cujos diretores indicam não existir falta de professores, contra 28,8% na OCDE;
  • 48,3% dos alunos utilizam IA pelo menos semanalmente para aprender, mas apenas 57,4% dizem aprender nas aulas a avaliar informação produzida por Inteligência Artificial.

A FNE considera especialmente preocupante a evolução da Leitura. A própria OCDE alerta para a deterioração destas competências, fundamentais para compreender, interpretar e avaliar informação numa sociedade cada vez mais digital.

“Portugal não pode conformar-se com estar próximo da média da OCDE quando os resultados mostram que estamos a perder terreno. Temos de perceber o que está a acontecer e agir, sem procurar soluções rápidas ou reformas sucessivas que não respondem aos problemas estruturais das nossas escolas.”

Os resultados deixam também uma mensagem que a FNE considera inequívoca: não é possível discutir a qualidade das aprendizagens sem falar das condições em que se ensina e aprende.

Apesar das dificuldades sentidas pelas escolas na disponibilidade de docentes, Portugal apresenta no PISA um nível de apoio dos professores aos alunos superior à média da OCDE.

“Os professores continuam a ser uma das maiores forças da Escola Pública. Se queremos melhores resultados para os alunos, temos de garantir professores suficientes, valorizados e com condições para fazer aquilo que melhor sabem fazer: ensinar e acompanhar cada aluno.”

Para a FNE, isso exige uma estratégia continuada para atrair, formar, fixar e reter professores, valorizar carreiras e salários, melhorar as condições de trabalho e reduzir a burocracia.

IA deve ajudar os alunos a pensar, não pensar por eles

O PISA 2025 deixa ainda um alerta sobre a utilização das tecnologias. A OCDE conclui que os resultados dependem da forma como os dispositivos digitais e a IA são utilizados: a tecnologia pode apoiar a aprendizagem, mas a distração digital e a utilização excessiva estão associadas a piores resultados.

A utilização da IA é comum, mas a utilização diária é pouco frequente, o que demonstra que a sua integração na aprendizagem ainda se encontra numa fase muito inicial.

Para a FNE, Portugal deve apostar numa verdadeira estratégia de literacia digital e Inteligência Artificial, reforçando simultaneamente competências como a leitura, concentração, interpretação, pensamento crítico e autonomia intelectual.

“A Inteligência Artificial deve ajudar os nossos alunos a pensar melhor, nunca substituir o seu pensamento. Numa escola cada vez mais tecnológica, precisamos ainda mais de professores e de relações humanas fortes.”

Essa estratégia deve incluir uma forte aposta na competência dos professores na integração de dispositivos digitais no ensino. À medida que a utilização da tecnologia cresce exponencialmente, o uso excessivo constitui um problema, e a falta de apoio e preparação dos professores está claramente a ter um efeito negativo na maioria dos países.

Numa leitura global dos resultados, o PISA 2025 registou o desempenho médio da OCDE mais baixo observado até à data em ciências, leitura e matemática.

O bullying aumentou desde 2022, o que está em consonância com os resultados de que dispomos noutros contextos. O bullying relacional, em particular, agravou-se. Todas as formas de bullying estão associadas a níveis mais baixos de desempenho académico. O absentismo e os atrasos também aumentaram.

No capítulo ambiental, torna-se evidente que a educação ambiental está em declínio, precisamente numa altura em que as alterações climáticas se agravam. Não só os países estão a negar a ciência climática, como também estão a ensiná-la cada vez pior. É provável que isto se deva a uma combinação de fatores, desde o aumento da desinformação sobre o clima até à natureza cada vez mais polarizada do debate em torno deste facto científico.

Por todos estes fatores, a FNE defende que os resultados do PISA 2025 sejam utilizados não para produzir mais um debate passageiro sobre rankings, mas para construir uma verdadeira estratégia educativa de médio e longo prazo.

Melhorar as aprendizagens começa por criar melhores condições para ensinar e aprender.


Porto, 8 de setembro de 2026

A Comissão Executiva
Federação Nacional da Educação
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Tue, 08 Sep 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[Consulte aqui a Portaria de extensão do contrato coletivo entre a CNIS e a FNE e outros]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11077 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11077 Foi hoje publicada a Portaria de extensão do contrato coletivo entre a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade ― CNIS e a FNE ― Federação Nacional da Educação e outros.

O acordo para esta revisão foi assinado na tarde de 16 de março, na sede da CNIS, com efeito a 1 de janeiro de 2026. Recorde AQUI os ganhos deste acordo.

Consulte aqui a Portaria n.º 425/2026/1, de 8 de setembro



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Tue, 08 Sep 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[Publicada a Portaria de extensão das alterações do contrato coletivo entre a União das Mutualidades Portuguesas e a FNE e outros]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11076 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11076 Foi publicada a 7de setembro a Portaria de extensão das alterações do contrato coletivo entre a União das Mutualidades Portuguesas e a FNE ― Federação Nacional da Educação e outros.

Recorde aqui tudo sobre esta negociação.


Consulte aqui o documento completo




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Mon, 07 Sep 2026 00:00:00 +0100