<![CDATA[Notícias]]> https://fne.pt Tue, 14 Jul 2026 13:42:08 +0100 Tue, 14 Jul 2026 13:42:08 +0100 (fne@fne.pt) fne@fne.pt Goweb_Rss http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss <![CDATA[Reapreciação dos exames nacionais: É preciso antecipar e preparar a resposta]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11045 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11045
Confirmando-se o compromisso assumido pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação de que os resultados dos exames finais nacionais do 11.º e do 12.º ano serão afixados e divulgados no próximo dia 17 de julho de 2026, a FNE alerta para a necessidade de o Ministério e as entidades responsáveis anteciparem, desde já, o eventual impacto de um aumento significativo dos pedidos de reapreciação.

Se, num universo de cerca de 300 mil provas, uma taxa de reapreciação de 2%, em linha com o verificado em anos anteriores, corresponde a aproximadamente 6 mil pedidos, uma subida para 10% representaria cerca de 30 mil processos e uma subida para 20% poderia significar cerca de 60 mil reapreciações.

Estamos, portanto, perante a possibilidade de o sistema ter de responder a um volume cinco ou dez vezes superior ao habitual.

A FNE considera que um eventual aumento dos pedidos de reapreciação poderá resultar da conjugação de diferentes fatores.

Por um lado, dos problemas registados ao longo do processo de classificação e da consequente desconfiança que se instalou entre alunos e famílias.

Por outro, importa considerar os efeitos do novo modelo de classificação digital. No modelo anteriormente utilizado, o professor classificador analisava a prova na sua globalidade, dispondo de uma visão integral do desempenho do aluno e de uma perceção global da coerência e da qualidade das respostas apresentadas. No novo modelo, cada professor classifica apenas uma ou duas questões de um conjunto alargado de provas, deixando de ter acesso à prova completa e, consequentemente, à visão global do desempenho de cada aluno.

Esta alteração de paradigma poderá contribuir para o aparecimento de um maior número de classificações finais situadas muito próximo de valores considerados relevantes. Sabendo que uma pequena alteração na cotação de uma ou mais respostas poderá traduzir-se numa melhoria da classificação final, é legítimo admitir que um número significativo de alunos e famílias considere existirem razões suficientes para solicitar a reapreciação da prova.

Não se trata de colocar em causa o rigor ou o profissionalismo dos professores classificadores. Trata-se, antes, de reconhecer que um modelo baseado na classificação fragmentada das provas elimina a possibilidade de um mesmo professor dispor de uma leitura global do exame e introduz uma realidade diferente daquela que existia no modelo anterior.

Importa, por isso, não presumir que os padrões de reapreciação verificados em anos anteriores se manterão necessariamente inalterados. O contexto é diferente. Mudou o modelo de classificação, alterou-se a forma como os professores contactam com as provas e, simultaneamente, os problemas ocorridos ao longo do processo contribuíram para gerar dúvidas e desconfiança.

Um cenário de aumento significativo dos pedidos de reapreciação teria consequências muito relevantes na mobilização de professores classificadores, na carga de trabalho das estruturas envolvidas, na capacidade de resposta dos sistemas tecnológicos e administrativos e no cumprimento dos prazos estabelecidos.

A FNE considera, por isso, indispensável que exista um plano de contingência capaz de responder a um eventual aumento excecional dos pedidos de reapreciação. Uma dificuldade previsível não pode voltar a ser enfrentada sem a necessária antecipação, preparação e capacidade de resposta.

Esse plano deverá prever, atempadamente, os recursos humanos necessários, os mecanismos de mobilização dos professores e a capacidade dos sistemas tecnológicos e administrativos, mas terá igualmente de salvaguardar os direitos dos professores envolvidos, designadamente o direito ao descanso e ao gozo efetivo das suas férias.

Depois da pressão excecional a que muitos professores foram sujeitos, não seria aceitável que uma eventual insuficiência de planeamento na fase das reapreciações viesse novamente a ser compensada através da sobrecarga, da disponibilidade permanente ou do sacrifício dos períodos de descanso dos docentes. Qualquer necessidade de trabalho adicional ou de alteração de períodos de férias deverá ser devidamente fundamentada, previamente organizada e acompanhada das correspondentes garantias e compensações.

A antecipação que a FNE agora exige deve servir precisamente para evitar soluções de emergência que transfiram, mais uma vez, para os professores as consequências de dificuldades que podem e devem ser previstas.

Depois da pressão verificada na fase de classificação, o sistema não pode ser novamente apanhado desprevenido perante uma eventual segunda vaga de pressão, agora na fase das reapreciações.

A FNE considera que este é o momento de prevenir, preparar e garantir respostas. Não o de esperar que o problema aconteça para, só depois, procurar soluções.


Porto, 14 de julho de 2026
Federação Nacional da Educação
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Tue, 14 Jul 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[Técnicos Especializados nas escolas públicas: quando as necessidades são permanentes, a resposta não pode continuar a ser provisória]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11044 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11044

Inquérito nacional da FNE revela que 95,5% das escolas reconhecem a repetição anual das necessidades e 84,8% defendem mecanismos de estabilidade ou vinculação

A Federação Nacional da Educação (FNE) divulga os resultados de um Inquérito Nacional sobre os Técnicos Especializados para Formação nas Escolas Públicas, realizado junto de diretores de Agrupamentos de Escolas e Escolas Não Agrupadas, que evidencia uma realidade que exige uma resposta política e negocial.

O questionário recolheu 119 respostas, provenientes de 17 distritos, tendo sido identificados 283 técnicos especializados nas 66 escolas e agrupamentos que indicaram dispor destes profissionais. Os resultados demonstram que estes técnicos desempenham funções essenciais ao funcionamento das ofertas educativas e formativas, em áreas tão diversas como Restauração, Saúde, Turismo, Ação Social, Multimédia, Teatro, Audiovisuais, Eletrónica, Informática, Mecânica, Artes e muitas outras. 

Os números são claros

Entre as escolas que contam com técnicos especializados:

  • 95,5% reconhecem que as necessidades por estes asseguradas se repetem anualmente, de forma permanente ou na maioria das áreas;
  • 93,9% consideram que estes profissionais asseguram, total ou parcialmente, necessidades permanentes das escolas;
  • 84,8% defendem diretamente a criação de mecanismos de estabilidade ou vinculação;
  • 97% consideram importante ou parcialmente importante garantir formação pedagógica específica;
  • em 66,7% das escolas existem técnicos cujo maior período de exercício contínuo ultrapassa os cinco anos;
  • em 21 escolas existem situações de profissionais com mais de dez anos de exercício contínuo.

Os dados confirmam, assim, uma contradição que a FNE considera impossível continuar a ignorar: as escolas têm necessidades permanentes, os profissionais desempenham funções permanentes, muitos permanecem durante anos nas mesmas escolas, mas continuam sujeitos a respostas laborais marcadas pela instabilidade e pela contratação sucessiva.

Não são apenas técnicos: são profissionais plenamente integrados na vida pedagógica das escolas

O inquérito demonstra também que a intervenção destes profissionais ultrapassa largamente a transmissão de conhecimentos técnicos ou a lecionação de componentes práticas.

Os técnicos especializados participam em reuniões pedagógicas, avaliação dos alunos, Provas de Aptidão Profissional, Formação em Contexto de Trabalho e componentes teóricas e práticas, assumindo ainda, em diversos casos, responsabilidades de direção de turma, direção de curso, coordenação e outras funções integradas na organização pedagógica das escolasCaixa de texto: RELATÓRIO PARA CONSULTA EM ANEXO. Para a FNE, esta realidade deve ser devidamente reconhecida. Não é aceitável que profissionais plenamente integrados nas equipas pedagógicas e indispensáveis ao funcionamento de cursos e ofertas formativas permaneçam, ano após ano, numa situação profissional que não corresponde à natureza estrutural das funções que desempenham.

A precariedade não pode ser a resposta permanente para necessidades permanentes

A FNE considera que os resultados deste inquérito constituem uma base objetiva para a abertura de um processo de diálogo e negociação que permita encontrar uma solução integrada para estes profissionais.

Essa resposta deverá contemplar:

  • a criação de mecanismos adequados de estabilidade e vinculação;
  • reconhecimento da experiência profissional acumulada;
  • a valorização das funções pedagógicas efetivamente desempenhadas;
  • a garantia de formação pedagógica específica;
  • a definição de um modelo de recrutamento transparente, justo e adequado às necessidades permanentes das escolas;
  • a criação de condições que garantam a continuidade e a qualidade das ofertas educativas e formativas.

A FNE entende que esta não é apenas uma questão laboral. Está em causa a própria capacidade da escola pública para garantir estabilidade às suas equipas, continuidade aos seus projetos educativos e qualidade às respostas formativas que oferece aos alunos.

Os resultados agora conhecidos mostram que são as próprias direções escolares a reconhecer, de forma esmagadora, a permanência destas necessidades e a defender a criação de soluções de estabilidade.

É, por isso, tempo de transformar esse reconhecimento em resposta política.

Quando as necessidades são permanentes, quando as funções se repetem ano após ano e quando os mesmos profissionais permanecem durante longos períodos ao serviço das escolas, a resposta não pode continuar a ser permanentemente provisória.

A FNE manifesta a sua total disponibilidade para iniciar um processo de diálogo e negociação que permita construir uma solução justa, equilibrada e sustentável para os Técnicos Especializados para Formação nas Escolas Públicas.

 
“A escola pública precisa destes profissionais. E quem é necessário de forma permanente não pode continuar a ser tratado como provisório.

 


CONSULTE AQUI O RELATÓRIO FINAL COM OS RESULTADOS 
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Tue, 14 Jul 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[FNE regista avanços na revisão do RJEPE, mas exige valorização remuneratória dos docentes]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11043 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11043 A FNE esteve hoje presente no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), em Lisboa, para uma nova ronda de negociação relativa ao processo de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE).

Durante o encontro desta tarde, que contou com as presenças de Paulo Fernandes, Secretário-Geral Adjunto da FNE e Teresa Soares, Secretária Executiva da FNE e Presidente do SPCL, a tutela apresentou uma nova versão da proposta de diploma, com alterações pontuais face ao anterior articulado. 

Entre os aspetos considerados positivos pela FNE destaca-se a evolução da norma transitória relativa às comissões de serviço. A nova redação apresentada garante que os atuais docentes em comissão de serviço não ficam abrangidos pelos novos limites temporais e estabelece que, no futuro, embora as comissões tenham a duração máxima de nove anos, os docentes poderão voltar a candidatar-se ao mesmo lugar através de novo procedimento concursal, assegurando a continuidade de funções sempre que a respetiva avaliação de desempenho o justifique.

Apesar destes avanços, a FNE manifestou preocupação pelo facto de a proposta continuar sem incluir as novas tabelas remuneratórias. O MNE assegurou que nenhum docente terá um vencimento inferior ao atualmente praticado, mas a FNE considera que essa garantia representa apenas o mínimo exigível e por isso reiterou que a revisão do regime jurídico deve traduzir-se numa efetiva valorização salarial, com aumento da remuneração base que permita recuperar o poder de compra perdido ao longo dos últimos anos, independentemente dos apoios destinados à habitação, cuja manutenção considera igualmente essencial.

Na reunião foi ainda discutida a situação da Caixa Médica, tendo a FNE alertado para as dificuldades sentidas pelos docentes no acesso à cobertura de saúde. A Federação criticou a substituição do anterior procedimento coletivo por um processo individual, que tem provocado atrasos significativos na tramitação dos pedidos e, em alguns casos, deixado professores sem cobertura médica durante vários meses.

Outro dos temas centrais da negociação foi a componente letiva. A FNE rejeitou a proposta da tutela, que prevê uma carga letiva entre as 22 e as 25 horas semanais, considerando que esta não reflete a diversidade das funções desempenhadas pelos docentes do Ensino Português no Estrangeiro e por isso a FNE defendeu uma redução da componente letiva, tanto para professores como para leitores, de forma a garantir que o trabalho desenvolvido, incluindo as tarefas de preparação e acompanhamento pedagógico, não ultrapasse o horário normal de trabalho.

Relativamente ao modelo de avaliação do desempenho, a FNE manifestou igualmente a sua discordância quanto à introdução da avaliação dos docentes pelos alunos, considerando que esta solução não constitui um critério adequado para a avaliação profissional dos professores.

A próxima ronda negocial entre a FNE e a tutela ficou agendada para o próximo dia 27 de julho de 2026, altura em que se espera que seja apresentada a proposta relativa às tabelas remuneratórias e que possam ser aprofundadas as restantes matérias ainda em discussão.


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Mon, 13 Jul 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[EXAMES NACIONAIS: Reconhecer o trabalho extraordinário exige justiça, responsabilidade e uma visão de todo o sistema]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11042 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11042 A Federação Nacional da Educação (FNE) tomou conhecimento da nota informativa do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), na qual é anunciado que os professores classificadores serão compensados, através do pagamento de horas extraordinárias, pelo trabalho realizado durante o fim de semana, em resultado do esforço suplementar necessário para cumprir os prazos estabelecidos no calendário da avaliação externa.

A FNE considera justo e necessário que todo o trabalho extraordinário efetivamente prestado seja devidamente remunerado. Os professores classificadores têm sido chamados, mais uma vez, a responder com enorme profissionalismo, disponibilidade e sentido de responsabilidade a uma situação particularmente exigente, marcada por constrangimentos, alterações de procedimentos, pressão sobre os prazos e uma carga de trabalho acrescida.

Mas importa colocar uma questão elementar: o pagamento de horas extraordinárias é um reconhecimento excecional ou é, simplesmente, o cumprimento de uma obrigação decorrente da prestação de trabalho para além do horário normal?

Quando um trabalhador presta trabalho extraordinário, esse trabalho deve ser contabilizado e remunerado nos termos aplicáveis. Por isso, apresentar o pagamento das horas extraordinárias como uma forma especial de reconhecimento pelo esforço desenvolvido suscita legítimas interrogações. O verdadeiro reconhecimento não pode limitar-se ao pagamento daquilo que é devido. Reconhecer é também criar condições adequadas de trabalho, planear com rigor, garantir sistemas fiáveis, prevenir situações de sobrecarga e assumir responsabilidades quando essas condições não são asseguradas.


O reconhecimento não pode deixar ninguém para trás

É justo reconhecer o esforço extraordinário dos professores classificadores. Mas esse reconhecimento não pode ignorar os restantes profissionais que, nas escolas e nas diferentes estruturas envolvidas, garantem diariamente o funcionamento de todo o processo dos exames nacionais.

Os problemas verificados na implementação do processo de classificação digital tiveram consequências que ultrapassaram largamente o trabalho dos classificadores. Obrigaram à reorganização de procedimentos e calendários, prolongaram prazos, aumentaram a pressão sobre as escolas e agravaram significativamente a carga de trabalho de muitos profissionais.

Os assistentes técnicos, em particular, têm desempenhado um papel essencial e nem sempre suficientemente reconhecido. São eles que asseguram uma parte decisiva da componente administrativa dos exames. Muitos destes profissionais trabalham igualmente sob enorme pressão, prolongando horários e assumindo responsabilidades acrescidas, frequentemente sem que exista o mesmo reconhecimento público do seu esforço.

Por isso, a FNE afirma com clareza: se existe um “esforço extraordinário”, então o reconhecimento deve abranger todos os profissionais que, com o seu trabalho, tornam possível a realização e a conclusão do processo dos exames nacionais.


Todo o trabalho é extraordinariamente exigente

A FNE considera igualmente necessário não reduzir a discussão ao trabalho realizado durante um determinado fim de semana. O trabalho de classificação das provas de avaliação externa é, pela sua própria natureza, uma tarefa de enorme exigência e responsabilidade, independentemente de ser realizado num dia útil, à noite, ao sábado ou ao domingo.

Os professores classificadores assumem uma função específica, especializada e de elevada responsabilidade, que exige concentração, rigor, domínio científico e pedagógico, cumprimento de critérios e capacidade para tomar decisões que têm consequências diretas na vida escolar e académica dos alunos.

Esse trabalho não se torna exigente apenas quando é realizado ao fim de semana. É exigente sempre.

É, por isso, necessário discutir de forma mais ampla e séria as condições em que o trabalho de classificação é realizado, a sua compatibilização com as restantes obrigações profissionais dos docentes, os prazos definidos e o reconhecimento efetivo de uma responsabilidade que não pode continuar a ser tratada como uma simples extensão da atividade profissional quotidiana.


As responsabilidades não podem ser transferidas para quem resolveu os problemas

Perante os constrangimentos ocorridos, há também perguntas que não podem ficar sem resposta.

De quem é a responsabilidade pelas falhas verificadas?

Foram devidamente avaliados os riscos associados à implementação do modelo?

Existiram mecanismos de contingência suficientemente robustos?

Foram ouvidos e envolvidos, em tempo útil, os profissionais que conhecem o funcionamento real das escolas, da avaliação e dos exames?

Os professores, os assistentes técnicos e os restantes profissionais envolvidos não podem ser transformados nos responsáveis por resolver, através de mais horas de trabalho, maior disponibilidade e sacrifício pessoal, problemas cuja origem não lhes pode ser imputada.

É precisamente por terem respondido com profissionalismo e sentido de responsabilidade que o processo pôde continuar.

Mas o empenho dos profissionais não pode servir para ocultar falhas de planeamento, organização, implementação ou comunicação. Muito menos pode tornar-se o mecanismo habitual de compensação das insuficiências do sistema.

Quando um processo só consegue cumprir os seus objetivos porque os trabalhadores são chamados a ultrapassar repetidamente os limites normais do seu tempo de trabalho, então o problema não está na falta de dedicação dos profissionais. Está na forma como o trabalho foi planeado e organizado.


Culpar o digital é falhar o diagnóstico

A FNE considera igualmente importante evitar conclusões simplistas sobre a utilização de ferramentas digitais no processo de avaliação externa.

Na polémica em torno dos exames, o modelo adotado, a forma de implementação, a preparação do processo, os sistemas utilizados ou a capacidade de resposta perante as dificuldades podem ter falhado.

Mas culpar o digital, por si só, é falhar o diagnóstico.

A tecnologia não é, em si mesma, o problema. Pode e deve ser utilizada para melhorar processos, aumentar a eficiência, reduzir tarefas burocráticas e facilitar o trabalho dos profissionais.

O problema surge quando a transformação digital não é acompanhada por planeamento rigoroso, testes adequados, sistemas robustos, formação, apoio técnico, mecanismos de contingência e envolvimento efetivo daqueles que vão utilizar os sistemas.

Digitalizar um processo não significa apenas substituir o papel por um ecrã. Significa repensar procedimentos, antecipar riscos, garantir condições de funcionamento e colocar a tecnologia ao serviço das pessoas — e não obrigar as pessoas a compensar as fragilidades da tecnologia ou da sua implementação.


É preciso ouvir os professores quando se fala de avaliação

A FNE considera ainda que existe uma dimensão desta polémica que não pode ser ignorada: os professores têm de estar mais presentes na explicação pública sobre o que significa avaliar.

Quando a discussão pública sobre avaliação e exames se reduz a plataformas, classificações, prazos, médias e números, perde-se uma parte essencial da realidade educativa.

Sem a voz dos professores, corre-se o risco de empolar episódios, simplificar problemas complexos e transmitir à sociedade uma imagem errada sobre o trabalho desenvolvido nas escolas.


Avaliar é muito mais do que atribuir classificações.

Avaliar é acompanhar aprendizagens, identificar dificuldades, ajustar estratégias pedagógicas, reconhecer progressos, dar feedback, tomar decisões e criar condições para que cada aluno possa aprender melhor.

Os exames nacionais são uma componente do sistema de avaliação, mas não esgotam o significado da avaliação educativa. E os professores não podem ser chamados apenas para executar procedimentos ou resolver problemas: têm de ser ouvidos na conceção, na organização, na implementação e na avaliação das políticas educativas.


O problema do tempo de trabalho docente não começou neste fim de semana

Por fim, esta situação demonstra, de forma clara e inequívoca, aquilo que a FNE tem vindo a denunciar e a reivindicar ao longo dos anos: o tempo real de trabalho dos professores ultrapassa sistematicamente os limites formalmente estabelecidos.

O trabalho para além do horário não começou agora.
Não acontece apenas durante este fim de semana.
E não existe apenas por causa dos exames nacionais.

Ao longo de todo o ano letivo, milhares de professores prolongam diariamente a sua atividade profissional para além do horário formal. Trabalham à noite. Trabalham aos fins de semana. Levam trabalho para casa. Preparam aulas, corrigem trabalhos e provas, elaboram materiais, realizam avaliações, preenchem plataformas, respondem a solicitações, participam em reuniões, desenvolvem projetos e cumprem uma crescente multiplicidade de tarefas administrativas e burocráticas.

Em muitos períodos do ano letivo, o tempo real de trabalho ultrapassa claramente as 50 horas semanais.

A diferença é que grande parte desse trabalho permanece invisível, não é contabilizado e não é remunerado como trabalho extraordinário.

Por isso, se o MECI reconhece agora que o trabalho realizado ao fim de semana, para assegurar o cumprimento do calendário dos exames, deve ser considerado e remunerado como trabalho extraordinário, então esta decisão deve também abrir uma reflexão mais ampla e consequente sobre todo o tempo de trabalho docente que, ao longo do ano, é realizado para além dos limites legal e humanamente aceitáveis.

Não pode haver reconhecimento apenas quando o problema se torna público.

Não pode haver valorização apenas quando é necessário responder a uma situação de emergência.

Não pode continuar a existir uma escola que funciona, demasiadas vezes, à custa da disponibilidade permanente, do prolongamento dos horários e do sacrifício do tempo pessoal e familiar dos seus profissionais.

A FNE exige, por isso, que esta situação não seja tratada como um episódio isolado. É necessário retirar consequências, apurar responsabilidades, avaliar os procedimentos adotados e garantir que os problemas ocorridos não se repetem.

Mas é igualmente necessário reconhecer uma realidade estrutural: a Educação não pode continuar a depender da disponibilidade ilimitada dos seus profissionais.

O verdadeiro reconhecimento não se faz apenas com agradecimentos.

Faz-se com respeito pelo tempo de trabalho.
Faz-se com condições adequadas para o exercício profissional.
Faz-se com planeamento e organização.
Faz-se ouvindo quem conhece e faz a escola todos os dias.
E faz-se garantindo que todo o trabalho efetivamente realizado é devidamente reconhecido, contabilizado e valorizado.

A FNE continuará a defender que o tempo dos profissionais da Educação tem valor. E que nenhum sistema educativo sustentável pode assentar na normalização do trabalho extraordinário, invisível e não reconhecido. Ao mesmo tempo, a FNE reafirma a sua total disponibilidade para contribuir, de forma responsável e construtiva, para a resolução dos problemas identificados e para participar em futuras avaliações dos procedimentos adotados, tendo em vista a sua melhoria contínua. A digitalização dos processos deve constituir um instrumento de simplificação, eficiência e valorização do trabalho, exigindo, por isso, planeamento rigoroso, sistemas robustos, acompanhamento permanente e capacidade de correção, para que a inovação tecnológica esteja verdadeiramente ao serviço da Educação.


Porto, 11 de julho de 2026


Comissão Executiva

Federação Nacional da Educação



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Sat, 11 Jul 2026 00:00:00 +0100
<![CDATA[FNE presente no seminário "Ensino Profissional: passado, presente e metas para 2030"]]> https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11041 https://fne.pt/pt/noticias/detail/id/11041
O Vice-Secretário-Geral da FNE, António Jorge Pinto e o Secretário Executivo, Mário Jorge Silva, marcam presença esta manhã, na Assembleia da República, Sala do Senado no seminário "Ensino Profissional: passado, presente e metas para 2030"​, ​uma iniciativa que reúne especialistas, representantes do setor educativo, parceiros económicos e estudantes para refletir sobre a evolução, os desafios e as perspetivas do ensino profissional em Portugal.



O seminário pretende promover o debate em torno da valorização e consolidação desta via de ensino, bem como das metas a prosseguir até 2030, abordando temas como o papel das escolas e das redes formativas, a articulação com o tecido económico e empresarial, a atratividade das profissões técnicas e a participação de estudantes e antigos estudantes na definição de respostas para o futuro.

O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre terá a seu cargo a sessão de encerramento deste seminário.




Fonte: Parlamento.pt
 
 
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Wed, 08 Jul 2026 00:00:00 +0100